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31 de janeiro de 2019

Tirem suas duvidas, saiba tudo sobre convulsão e a epilepsia

Convulsão é um distúrbio que se caracteriza pela contratura muscular involuntária de todo o corpo ou de parte dele, provocada por aumento excessivo da atividade elétrica em determinadas áreas cerebrais.

As convulsões podem ser de dois tipos: parciais, ou focais, quando apenas uma parte do hemisfério cerebral é atingida por uma descarga de impulsos elétricos desorganizados, ou generalizadas, quando os dois hemisférios cerebrais são afetados. Os ataques convulsivos costumam durar entre 1 e 2 minutos, podendo chegar até 5 minutos. Quando acaba, o indivíduo muitas vezes nem lembra do que aconteceu e sofre com sensações desagradáveis como cansaço e confusão.

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Causas

Todos os tipos de convulsão são causados pela atividade elétrica desorganizada e súbita do cérebro. Entre as causas mais frequentes estão:

Níveis anormais de sódio ou glicose no sangue

Infecção cerebral, incluindo meningite

Lesão cerebral que ocorre ao bebê durante o parto ou nascimento

Problemas cerebrais que ocorrem antes do nascimento (defeitos cerebrais congênitos)

Tumor cerebral

Asfixia

Abuso de drogas

Choque elétrico

Febre (especialmente em crianças pequenas)

Febre alta

Lesões na cabeça

Doença cardíaca

Doenças relacionadas ao calor (ver intolerância ao calor)

Drogas ilícitas, como o pó de anjo (PCP), cocaína, anfetaminas

Insuficiência renal ou hepática

Nível baixo de açúcar no sangue

Fenilcetonúria (PKU), que pode provocar ataques em bebês

Envenenamento

AVC

Toxemia de gestação

Uremia relacionada à insuficiência renal

Pressão sanguínea muito alta (hipertensão maligna)

Picadas e ferroadas de animais peçonhentos

Utilização de drogas ilícitas, como cocaína e anfetaminas

Suspensão de álcool após ter ingerido grandes quantidades na maioria dos dias

Suspensão de certas drogas, incluindo alguns analgésicos e pílulas para dormir

Suspensão de benzodiazepínicos.

Às vezes, a convulsão não tem causa identificada. Esses casos são chamados de crises idiopáticas. Geralmente ocorrem em crianças e adultos jovens, mas podem ocorrer em qualquer idade. Pode haver um histórico familiar de epilepsia ou convulsão.

Na consulta médica


Especialistas que podem diagnosticar uma crise epiléptica são:
Clínico geral
Neurologista
Pediatra.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram. Anote caso você tenha sentido algo diferente antes da convulsão e como você se sentiu depois dela

Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade

Se possível, peça a uma pessoa que testemunhou a convulsão para te acompanhar. 

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:
O que aconteceu durante a crise?
Que tipo de movimento do corpo ocorreu?
Quanto tempo levou?
Como a pessoa agiu imediatamente após a crise?
Existem lesões relacionadas às crises?
Alguma vez você já teve uma convulsão antes? Se sim, qual foi o diagnóstico e como as crises são tratadas?

Se você tem epilepsia, o médico pode perguntar:
Quais os medicamentos foram prescritos?
A dosagem do seu medicamento mudou recentemente?
Você tomou o seu medicamento exatamente como prescrito?
Você tomou os medicamentos prescritos ou não prescritos justamente com álcool?
Você já usou algum produto de medicina alternativa recentemente?
Quando foi sua última convulsão?
Em média, com que frequência você tem convulsões?
Você já teve outros problemas de saúde nos últimos três meses?
Você já teve uma concussão (lesão traumática cerebral) no passado? Há quanto tempo? Quão grave foi? Você perdeu a consciência? Quais testes foram utilizados para avaliar a sua lesão na cabeça?
Você já teve problemas com dores de cabeça?
Você toma, parou de tomar ou mudou a dose de quaisquer medicamentos, incluindo medicamentos sem receita médica ou drogas ilegais?
De repente você reduziu ou parou de beber álcool? 

Diagnóstico e Exames de Convulsão
O médico irá considerar o seu histórico médico completo e os eventos que levaram à convulsão. Por exemplo, doenças como enxaqueca, distúrbios do sono e estresse psicológico extremo podem causar sintomas de perda de consciência.

Testes de laboratório podem ajudar a diagnosticar algumas causas da convulsão. Esses incluem:
Exames de sangue para verificar se há desequilíbrio eletrolítico
Punção lombar para afastar a suspeita de infecção
Triagem toxicológica de teste de drogas, venenos ou toxinas.

Um eletroencefalograma pode ajudar o médico a diagnosticar uma convulsão. Exames de imagem, como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética, também podem ajudar, fornecendo uma imagem clara do cérebro, permitindo que o seu médico veja qualquer anormalidade, como o fluxo sanguíneo bloqueado ou um tumor. 

Tratamento e Cuidados
Presenciar um ataque epilético não é muito comum, mas pode acontecer. A falta de informação sobre como agir pode deixar qualquer um desorientado sobre o que fazer.

Quando a crise é acompanhada de quedas e abalos musculares generalizados, o passo a passo é o seguinte:
1. Permaneça calmo e vá controlando a duração da crise, olhando periodicamente para o relógio
2. Coloque uma toalha ou um casaco dobrado debaixo da cabeça da pessoa
3. Quando os abalos (convulsões) pararem coloque a pessoa na posição lateral de segurança
4. Permaneça com a pessoa até que recupere os sentidos e respire normalmente
5. Se a crise dura mais do que 5 minutos, chame uma ambulância

NÃO introduza qualquer objeto na boca nem tente puxar a língua (a teoria de que as pessoas podem "enrolar a língua" e asfixiar não tem fundamento)
NÃO tentar forçar a pessoa a ficar quieta
NÃO lhe dê de beber

Quando chamar o 192?
1. sempre que tiver dúvidas sobre o melhor procedimento
2. se for a primeira crise da pessoa (sem epilepsia prévia)
3. se a crise for mais prolongada do que o habitual (geralmente as crises não ultrapassam os dois ou três minutos de duração) ou se observar crises repetidas, sem recuperação dos sentidos no intervalo
4. crise com ferimentos sérios
5. dificuldade em retomar respiração normal no final da crise.

Medicamentos para Convulsão
Uma convulsão pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico. Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Os medicamentos mais comuns no tratamento de convulsões são:
Carbital
Diamox
Fenitoína
Fenitoína sódica
Fenobarbital
Gabaneurin
Gardenal
Hidantal
Lamotrigina
Lyrica
Oxcarbazepina
Rivotril


Quais são os tipos de convulsão?
Existem diversas maneiras de se classificar as convulsões. Isso porque essas classificações dependem da causa e da área do cérebro onde se inicia o processo convulsivo.  

Entenda: Convulsão epiléptica e não-epiléptica
As convlsões do tipo epiléptica não têm nenhuma causa aparente, ocorrendo repentinamente. Já as não-epilépticas são provocadas por distúrbios ou condições que podem estar afetando o cérebro, como lesões ou infecções. 

Convulsões parciais ou focais
A convulsão parcial (focal) ocorre quando apenas uma parte do hemisfério cerebral sofre com descargas desordenadas de impulsos elétricos. Esse tipo de convulsão pode, ainda, ser classificado em subcategorias como a convulsão parcial simples e complexa:
- Convulsão parcial simples: Nesse tipo, as descargas elétricas começam em uma parte do cérebro e se limitam a esse espaço, não se espalhando para outras partes;
- Convulsões parciais complexas: Ocorre quando as descargas elétricas não ficam confinadas em uma parte do cérebro e passam para as outras partes, causando outros sintomas. 

Convulsões generalizadas
Quando as descargas se dão em todas as áreas do cérebro, ocorre o que é chamado de “convulsão generalizada”. Essas convulsões podem ser primárias (descargas se iniciam na parte profunda central do cérebro e se espalham para os dois lados) ou secundárias (começam com uma convulsão parcial simples, que se espalha por todo o cérebro).

Nas convulsões generalizadas, podemos ver mais subcategorias, que são classificadas de acordo com a atividade muscular e partes do corpo afetadas:
- Convulsões generalizadas tônicas: O tônus muscular aumenta, fazendo com que o músculo se contraia e enrijeça;
- Convulsões generalizadas atônicas: Caracteriza-se por uma perda completa do tônus muscular, ou seja, há o relaxamento total do músculo, muitas vezes acompanhado da perda de consciência;
- Convulsões mioclônicas: Provoca espasmos rápidos de um ou de vários membros do corpo, incluindo o tronco (região do tórax e abdome), podendo causar a perda da consciência;
- Convulsões tônico-clônicas: Provavelmente o tipo mais conhecido, é caracterizado pela alternância rápida entre contração e relaxamento dos músculos, havendo perda temporária da consciência.

Convulsão febril
Ocorre nas primeiras 24 horas de febre, sendo mais comum em crianças menores de 5 anos. É causada pelo aumento da temperatura corporal, que afeta a função cerebral e promove uma resposta incomum.

Felizmente, esse tipo de convulsão é inofensivo e costuma passar quando a febre é resolvida. No entanto, é importante que os pais tomem os cuidados necessários para que a criança não se machuque durante o ataque, além de levá-la ao médico o quanto antes para investigar e tratar a febre.
 
Convulsão conversiva
Causada por fatores psicológicos como neuroses, o tipo conversivo tem sintomas parecidos com os diferentes tipos de convulsão, mas não há alteração na atividade cerebral.
 
Diferença entre a convulsão e a epilepsia
A palavra “epilepsia” se refere, geralmente, ao Transtorno Epiléptico Idiopático, no qual a pessoa sofre com diversas crises de atividade excessiva e anormal nas células cerebrais, incluindo, mas não se limitando a convulsões.

Desse modo, a convulsão pode ser considerada um tipo de ataque epiléptico, mas nem sempre está relacionada à epilepsia em si.



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